Você sabia que botulismo é causado por uma intoxicação?!

O botulismo é causado por uma bactéria gram-negativa, chamada de Clostridium botulinum, formadora de esporos que contaminam a água e o alimento dos animais se em condições sem monitoramento, ou sem o manejo adequado de estocagem desse alimento. Sendo assim, o botulismo é causado por uma intoxicação, onde o animal entra em contato com o alimento contaminado e assim passa a ingerir junto a bactéria.

A bactéria do botulismo possui uma resistência absurda, onde sobrevive por um longo período no meio ambiente, esta intoxicação geralmente acontece em animais que são criados de forma extensiva, onde permanecem o tempo todo a pasto, esta enfermidade normalmente está associada a falta de fósforo nas pastagens, além de uma suplementação mineral inadequada, que tem como consequência uma alteração do apetite, que pode levar a osteofagia nos animais (onde eles passam a roer ossos de carcaças de outros animais).

A bactéria além de contaminar o alimento, adora carcaças de animais (matéria orgânica viva), ambiente ideal para a multiplicação e produção de toxinas, contaminando em especial ossos, cartilagens e tendões, como ocorre a osteofagia, os animais acabam se contaminando desta forma, ingerindo os ossos.

Além da contaminação por manejo extensivo, também existe a forma de risco em animais confinados, recebem silagem, feno ou ração conservada de forma inadequada, apresentando muitas vezes presença de contaminantes por má conservação, ou então, alguns produtores utilizam para dar ao gado o resto da cama de frango, que muitas vezes está contaminada com excretas e restos de animais.

Após a ingestão da toxinas, ocorre a absorção pela mucosa intestinal, onde estas toxinas caem na circulação e se ligam a receptores do sistema nervoso, causando um bloqueio do impulso nervoso, entrando assim em um quadro de paralisia flácida. Podem apresentar 4 formas diferentes: Superaguda, aguda, subaguda e crônica.

botulismo

Ao decorrer da evolução do caso, ocorre a paralisia muscular, a qual vai crescendo e impossibilitando que o animal se mantenha em pé, permanecendo apenas em deitado. A paralisia progride para os membros anteriores, pescoço e cabeça, logo após acomete a deglutição, mastigação e o que resulta é o acúmulo de alimento na boca do animal, além de muita salivação (sialorréia), com redução assim dos movimentos ruminais (estômago). No fim, há uma acentuação do caso, onde o animal passa a ficar deitado de lado, e permanece consciente até o término do quadro, onde entra em coma e morre.

Em casos mais graves, o animal passa do estágio inicial até o óbito dentro de 1 a 2 dias, onde geralmente o que acontece é a parada respiratória, pela paralisia dos músculos respiratórios. O diagnóstico é feito por meio do histórico do animal, além de exames para a confirmação da afecção, onde serão utilizados fragmentos do animal que faleceu na propriedade e fragmentos do suspeito de estar contaminado.

Para evitar o botulismo, devem ser feitas medidas sanitárias e um melhor manejo com relação a estocagem de alimentos na propriedade, como:

  •  Deve ser feita a incineração de carcaças de animais (para evitar assim a osteofagia – animais que roem os ossos dos outros)
  • Manejo nutricional adequado, melhorando a disponibilidade de fósforo nas pastagens e suplementação mineral (evitando a osteofagia)
  • Deve ser feita a vacinação de todo o rebanho (de acordo com a lei, a vacina deve ser feita anualmente, com a primeira dose seguida de um reforço de 4 a 6 semanas após a primeira dose).

Fonte: DBO G1, Animais cultura mix